Acredita-se que ele esteja na região próxima da inervação do clitóris e, por isso, seja responsável pelo orgasmo feminino...
Sim, há muita informação e até algumas “inovações” quando o assunto é o sexo, a busca por prazer. Mas, não tem como negar: tudo isso causa muitas dúvidas e, em alguns casos, até uma busca exagerada pelo “sexo perfeito”, pelo “prazer intenso”.
Keila Oliveira, psicóloga, sexóloga e terapeuta sexual, comenta que, ao longo do tempo, muitas respostas (a respeito da sexualidade, do sexo e do orgasmo) foram encontradas; e outras vieram surgindo muito mais como especulações e suposições. “Ao passo que temos evoluído em tecnologia e respostas prontas para o cotidiano e o dia a dia, temos visto que essa urgência em saber de tudo e tornar a vida cada dia mais prática e excepcional se tornou um alvo muito claro, o qual praticamente todo mundo busca prementemente”, diz.
“Temos uma verdadeira indústria da felicidade posta todos os dias em favor de gadgets e descobertas bombásticas que facilitem a vida e nos impedem de dar de cara com as frustrações e com o próprio envolvimento emocional como reflexo de nossas conquistas e também dos nossos fracassos. Na área da sexualidade, porém, temos poucas novidades em termos de tecnologia e avanços da medicina, quando comparados às demais áreas da ciência: como estética, genética, cardiologia e infectologia, por exemplo”, observa.
Quando o assunto é sexo, um tema muito destacado é o chamado ponto G, rodeado, porém, de muitas dúvidas. Ele seria praticamente o “responsável” por proporcionar um prazer máximo à mulher.
Keila explica que o termo “ponto G” surgiu na década de 80 e tem sua origem na alusão de estudos na área da anatomia feminina do médico alemão Ernst Gräfenberg. “Segundo esse conceito, seria uma região encontrada na região anterior da vagina, há mais ou menos 4 cm da entrada do canal da vagina. Acredita-se que seria exatamente na região próxima da inervação do clitóris e, por isso, responsável pelo orgasmo”, diz.
Ricardo Luba, ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana, comenta que há quem concorde e quem não acredite no chamado ponto G. “Na verdade, não há evidência científica, mas ele costuma ser indicado como na entrada da vagina, na parede anterior”, afirma.
Como encontrar o ponto G?
Mas, afinal, o que é o ponto G? Como encontrá-lo? Ele “funciona” para todas as mulheres?
“Para achar o ponto G, deve-se introduzir o dedo indicador na vagina com a palma da mão virada para cima. A parede vaginal nessa região apresenta rugosidades, irregularidades. Aprofundando-se um pouco mais o dedo pode-se perceber que a parede vaginal torna-se lisa. O ponto G encontra-se na região da parede anterior da vagina, com rugosidades”.Ricardo Luba, ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução
O ginecologista acrescenta que a masturbação e até o uso de vibradores podem ajudar a mulher a encontrar o ponto G. “Com a masturbação, a mulher aprende seus pontos de maior prazer e, assim, o uso de vibradores ajuda na localização do ponto G”, orienta.
Keila explica que prefere chamar essa de uma “região virtual”. “É extremamente válida que seja explorada, no entanto, a denomino assim, pois funciona em algumas mulheres, em outras não. Há teorias de que ela existe em todas as mulheres, mas em algumas ainda não foi encontrada ou estimulada adequadamente. Outras, de que em algumas mulheres essa zona é mais proeminente e, por isso, de melhor acesso”, pondera.
“O que não devemos perder de vista é que cada mulher é um mundo complexo e idiossincrático. O que é excelente para algumas pessoas, para outras pode ser absolutamente estranho e isso vale para qualquer coisa na vida, inclusive para o sexo e o orgasmo. O orgasmo e o desejo feminino ainda são zonas em grande parte desconhecida, e muito ainda teremos que descobrir”, destaca a sexóloga.
“Ao longo dos anos, atendendo casais e mulheres com baixo desejo, dificuldades de orgasmo e problemas relacionados ao sexo, chego cada vez mais próximo do entendimento de que as pessoas têm preguiça em tentar conseguir uma vida sexual mais satisfatória e ampla e buscam em respostas prontas a solução para uma vida sexual mais divertida e um sexo ‘plus’, sem que para isso tenham muito trabalho ou invistam todo seu lado criativo nisso. E, é justamente por acreditar nisso que sinto que o ponto G faz tanto sucesso na mídia, porque é mais uma resposta pronta. ‘Achamos! Oba! Nossa vida sexual a partir de agora será uma maravilha’”, comenta Keila.
A sexóloga explica que a forma criativa de sempre buscar outras respostas e coisas legais para a vida sexual e a dois é maravilhosa: “temos que buscar e reinventar, sempre. Mas não podemos cair no engodo de que elas são milagrosas e resolvem nosso problema em definitivo”, diz.
Keila ressalta que o ponto G, em tese, se localiza bem próximo à entrada da vagina, na parte anterior. “Para encontrá-lo, devemos colocar o dedo voltado para a região do pubes e fazer uma massagem como se tivéssemos uma ‘cosquinha’, o chamado movimento de ‘vem cá’. Deve-se buscar vários tipos de toques, mais delicados, com mais pressão, mais rápidos, ou mais lentos. Cada mulher poderá senti-lo de uma maneira diferente”, esclarece.
“O que se deve ter em mente é de que todo o entorno do ato sexual tem reflexo sobre isso; o que quero dizer é de que nada adianta investir no ponto G sem nenhuma preliminar, sem clímax nenhum, como se o ponto G fosse o ‘botão do ON’! Na verdade, na mulher, é difícil achar um único ‘botão ON’. Eu sempre digo: existem vários botõezinhos e, se você não ligar uma combinação de vários deles, o sexo pode vir a ser sem graça e monótono. Esses ‘botõezinhos mágicos’ estão espalhados por todo o corpo, em diversas zonas erógenas, nas nossas emoções, na nossa mente e inclusive na nossa imaginação. Ligue uma combinação deles e a chance de sucesso é bem alta”, estimula a sexóloga.
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